segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

BILIOTECA ESCOLAR - EMCAS
Dr. FELIPE TIAGO GOMES

A Biblioteca Escolar Dr. Felipe Tiago Gomes foi criada no ano de 1964 fazendo parte das atividades pedagógicas da Escola Cenecista de 1º e 2º Graus Cônego Ambrósio Silva.
No ano de 1997 a referida escola foi municipalizada e a Biblioteca Escolar passa a pertencer a Escola Municipal, ensino de 1º Grau, Cônego Ambrósio Silva. A referida instituição literária mantém um acervo de aproximadamente 1.848 volumes de livros distribuídos entre literatura infato-juvenil, paradidádicos, dicionários, enciclopédias, romances, poesias, biografias, dentre outros.
DO PATRONO: Dr. Felipe Tiago Gomes nasceu em 01 de maio de 1921 no Sítio Barra da Pedra município de Picuí -PB. Era filho do casal Elias Gomes Correia e Ana Maria Gomes. Bastante inteligente, era baixo, forte e querido por todos. Gostava de fazer o bem e adquirir recursos para levar em frente seu grande projeto pessoal, a criação das CNECs. Era bacharelado em direito e foi nomeado Secretário de Assistência do Estudante, fundou a Companhia do Ginásio para pessoas carentes, atual CNEC (Companhia Nacional das Escolas da Comunidade). Foi porteiro da faculdade onde estudava, foi prefeito na cidade do Picuí e organizador do Movimento Popular de Alfabetização no Rio de Janeiro. Membro Diretor da Associação Brasileira de Educação.
Faleceu no dia 21 de setembro de 1996, de infarto, no Rio de Janeiro.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

I CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA DE CRUZETA

Aconteceu no dia 08/11/2011 a I conferência Municipal de Cultura de Cruzeta. O evento foi uma parceria da Prefeitura Municipal, Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte e Casa de Cultura Popular.
Diversas representatividades da cultura cruzetense lotaram a sala de reuniões da SMECE, que teve como palestrante o Profº. Ronaldo Macêdo.
TEMA GERAL: Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento.
Após a exposição do Tema, foram organizados grupos de estudos onde os mesmos apresentaram diversas propostas para os novos rumos da cultura local. Por fim, escolheu-se dois delegados para representar o município na Conferência Regional realizada em Currais Novos no dia 15/11/2011: os representates foram Humberto Dantas (Bebém) e o Profº. Ronaldo Macêdo.
RELATÓRIO ANUAL DA CASA DE CULTURA POPULAR - CRUZETA/RN
Restauração do auditório Manoel Dantas (Coquinha).

RELATÓRIO 01
AÇÕES REALIZADAS NA CASA DE CULTURA POPULAR ENTRE: 01/08 A 20/09/2011.

• Manutenção e pequenos reparos físicos nas paredes e teto do prédio 01;
• Pintura interna de 3 sala: biblioteca, direção e sala de oficina;
• Manutenção e pequenos reparos em 5 banheiros;
• Manutenção e suspensão de todas as portas do prédio 01 e 02;
• Criação do novo logotipo da Casa de Cultura Popular;
• Reabilitação da luz elétrica, que se encontrava cortada;
• Manutenção da cozinha (café bar) e concerto do fogão, pias e torneiras;
• Concertos de todas as torneiras e vasos sanitários de 5 banheiros;
• Registro e catalogação de 802 volumes de livros do acervo bibliográfico Profª Áurea Costa Martins e concerto de mesas para leitura e estantes;
• Descarte e reorganização do figurino teatral, cenários e adereços do acervo cênico;
• Concerto de mesas e armário da sala da Direção;
• Arquivamento e reorganização do arquivo passivo: documentos recebidos e expedidos, prestações de contas (receitas e despesas) da gestão anterior – 2006 a 2010;
• Recebimento e aquisição de 200 volumes de livros doados pela Escola Municipal Cônego Ambrósio Silva, Instituto de Brasília e do professor Ronaldo Macêdo;
• Restabelecimento e aquisição de água potável para os visitantes, material de limpeza e de consumo através de pessoas da comunidade;
• Limpeza geral da CCP, juntamente com membros da Companhia de Teatro Coisas da Terra;
• Dedetização de pragas (cupins) instaladas no interior do prédio 01 e 02 e dos boxes;
• Construção de painéis e murais de leitura e informativo;
• Implantação do “Projeto 5 Ss” (organização físico ambiental);
• Implantação do “Projeto Voluntários da CCP de Cruzeta”;
• Implantação do “Projeto A Casa é Sua” para aquisição de recursos financeiros para a revitalização da estrutura física do prédio da CCP;
• Revitalização do Grupo de Capoeira;
• Criação dos grupos de Maculelê e Pastoril em parceria com a Escola Municipal Cônego Ambrósio Silva;
• Religação do sistema de água que fora cortado.

0BS: As ações acima citadas foram realizadas em parcerias com a comunidade, entidades estudantis e culturais e amigos da CCP de Cruzeta.
RELATÓRIO 02
Reorganização das Salas de Oficinas
AÇÕES REALIZADAS NA CASA DE CULTURA POPULAR ENTRE: 01/10 A 30/12/2011.

• Manutenção e pequenos de 4 boxes na pracinha Francisco Eduardo Bezerra (Vivim);
• Apoio cultural ao Grupo de Trombone Seridó;
• Concerto do teto e pintura interna do auditório Manoel Dantas (Coquinha) – apoio Secretaria Extraordinária de Cultura e Fundação José Augusto;
• Reposição e concerto de refletores e lâmpadas da área externa de todo o prédio;
• Reorganização das salas de oficinas e despoluição ambiental;
• Início de arborização da área interna (árvore tipo Ninho indiano);
• Aquisição de utensílios domésticos para a cozinha (recursos próprios);
• Aquisição de um balcão para a cozinha (recursos próprios);
• Proteção de tela em todo o beira-bica dos prédios 1 e 2 em decorrência de pássaros e morcegos;
• Colocação de telhas transparentes no teto do prédio 1.

Exposição realizada na Pinacoteca - 25 Anos da Filarmônica Cruzeta
Ronaldo Macêdo
RESPONSÁVEL

HISTÓRICO
AÇUDE PÚBLICO CRUZETA
“O município de Cruzeta nasceu com a construção do açude público.”

Em 1910, quando era Presidente da República Brasileira, o Estadista Dr. Nilo Peçanha e Governador do nosso Estado, o Dr. Alberto Frederico de Albuquerque Maranhão, teve lugar o estudo do açude de Cruzeta. Após dez anos (1920), recebia o despacho para a sua construção.
Para ser efetuada a construção do manancial, foi preciso executar a desapropriação de terras onde o mesmo seria construído. Muitas pessoas doaram pequenos lotes de terras, mas foi o Sr. Joaquim José de Medeiros que doou o maior lote.
A construção do açude público de Cruzeta se deu através da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas – INFOCS, depois DNOCS.
A obra seguiu a todo vapor no ano de 1922, e terminou em 1928. Em 27 de março de 1929 operários, engenheiros e o povo em geral assistiam ao empolgante espetáculo do primeiro transbordamento de suas águas.
O açude Cruzeta encontra-se inserido nos domínios da bacia hidrográfica Piranhas-Açu, sendo banhado pela sub-bacia do Rio Salgado, que o atravessa em sua porção. Seus afluentes mais importantes são: Rio Quimporó e os riachos: Poço de Pedra, Cachoeirinha, das Lajes, Cajazeira, Saquinho, da Cachoeira e do Ingá, da Caiçarinha, Jardim e Perninha, do Navio, Pau d’Arco, Riacho do Meio e Logradouro. Na porção central, próximo à sede do município, encontra-se o açude de grande porte, o Cruzeta (35.000.000m3/público), alimentado pelo riacho São José. Os rios são temporários e deságuam no açude público.
A PESCA COMO FONTE DE SUBSISTÊNCIA

Desde a construção do açude público – Cruzeta, o povo que habitava o povoado e posteriormente a Vila dos Remédios, vivia da agricultura e da pecuária, mas, acima de tudo da pesca do manancial.
Durante décadas o povo cruzetense retirou das águas do açude a sua subsistência, tanto em peixes como na irrigação. Para tanto, os nativos da Vila ganhou o apelido de piabeiros em decorrência da enorme quantidade de peixes que era pescado no açude.
Hoje, essa prática vive aos cuidados da Colônia dos Pescadores, que através de uma associação, mantém viva a prática pesqueira no município.
PRINCIPAIS ESPÉCIES DE ANIMAIS AQUÁTICOS DO AÇUDE CRUZETA

CASCUDO
Cascudo é a designação comum aos peixes siluriformes da família Loricariidae, também conhecidos como acari, cari, boi-de-guará e uacari. Os loricariídeos são peixes exclusivamente de água doce, que habitam os rios e lagos da América Central e do Sul.
Os cascudos caracterizam-se pelo corpo delgado, revestido de placas ósseas, e pela cabeça grande. A boca localiza-se na face ventral e em algumas espécies é rodeada por barbas. Estes peixes vivem nos fundos dos rios, até cerca de 30 metros de profundidade, e alimentam-se de lodo, vegetais e restos orgânicos em geral.

CURIMATÃ
Nome popular: Curimbatá, curimatã, curimba.
Nome científico: Prochilodus scrofa, P. lineatus, P. platensis. P nigricans, P. marggravii.
Descrição: Peixes de escamas. A coloração é prateada, o tamanho é médio e a principal característica é a boca protrátil, em forma de ventosa, com lábios carnosos, sobre os quais estão implantados numerosos dentes diminutos dispostos em fileira.
Ecologia: Espécies detritívoras, alimentam-se de matéria orgânica e microorganismos associados à lama do fundo de lagos e margens de rios. Realizam longas migrações para reprodução.
Equipamentos: A pesca é praticada principalmente nos barrancos de beira do rio com equipamentos simples. As varas são de bambu, variando de 2 a 4m. A linha, geralmente uns 50cm maior que a vara, são de 0,30 a 0,4Omm. Os anzóis são pequenos e finos para facilitar a fisgada.
Iscas: A melhor isca é a massa de farinha de trigo iscada no anzol até a metade do colo. Deve ser consistente, nem muito dura, nem mole demais.
Dicas: Não é um peixe fácil de pescar porque pega a isca muito de leve, exigindo bastante calma e sensibilidade do pescador para efetuar a fisgada no momento exato.

CÁGADO

Réptil de água doce, com pés palmados e carapaça hidrodinâmica.
Os quelônios, quelónios ou testudíneos são répteis da ordem Testudinata (Chelonioidea). Esse grupo está representado pelas tartarugas (as marinhas e as de água doce), pelos cágados (de água doce) e pelos jabutis (terrestres)
Esses animais apresentam placas ósseas dérmicas, que se fundem originando uma carapaça dorsal e um plastrão ventral rígidos, que protegem o corpo. As vértebras e costelas fundem-se e a essas estruturas. Os ossos da carapaça são recobertos por escudos córneos de origem epidérmica. Não possuem dentes, mas apresentam lâminas córneas usadas para arrancar pedaços de alimentos.São todos ovíparos. O grupo tem cerca de 300 espécies, e ocupa habitats diversificados como os oceanos, rios ou florestas tropicais. Os quelônios estão na lista dos maiores répteis do mundo.
A ordem Testudinata subdivide-se nas subordens Pleurodira e Cryptodira, conforme a posição do pescoço quando a cabeça se encontra dentro da carapaça.

PIABA
Piaba, também conhecido por piava, piau e aracu, é um peixe encontrado nos rios ou açudes do Brasil, principalmente nas regiões sudeste, centro-oeste, sul e também no nordeste brasileiro.
É um peixe de cor brilhante, prateada. A boca é pequena, porém possui dentes fortes e capazes de arrebentar anzóis fracos. Costuma nadar muito em busca de comida. Suas preferências são por vegetais, larvas de insetos e pequenos peixes.
Anualmente, as piabas efetuam uma migração em direção à nascente para reprodução e, depois, retornam rio abaixo. Pode-se encontrá-las em canais de rios, açudes e em cachoeiras. É um peixe que gosta de água corrente.

PIAU
Peixes de escamas; corpo alongado e fusiforme; boca pequena e dentes incisivos (características da família).
Espécies onívoras, com tendência a carnívoras, consumindo principalmente invertebrados (insetos). São encontradas nas margens de rios, açudes, em locais com fundo arenoso e com pedras. São importantes para a pesca de subsistência e para o comercio local, mercados e feiras.
Iscas: Iscas naturais, como insetos, minhoca, dentre outras.
Dicas: + preciso muita habilidade para fisgar esses peixes, pois sao muito ariscos

TILÁPIA
Tilápia é o nome comum dado a várias espécies de peixes ciclídeos de água doce pertencentes à sub-família Pseudocrenilabrinae e em particular ao gênero Tilapia. Eles são nativos da África, mas foram introduzidas em muitos lugares nas águas abertas da América do Sul e sul da América do Norte e são agora comuns na Flórida, Texas e partes do sudoeste dos EUA, sul e sudeste do Brasil.

TRAIRA
A Traíra (Hoplias sp.) ou Lobó é um peixe carnívoro de água doce da família Erythrinidae. A traíra pertence a um grupo de peixes desprovidos de nadadeira adiposa. É um dos peixes mais populares do Brasil, presente em quase todos os açudes, lagos, lagoas e rios. Nas regiões que oferecem boa alimentação é comum que atinjam 69 cm de comprimento, e alguns exemplares excedem 2 kg de peso. Sua pesca é feita de anzol, com isca de peixe ou carne; as traíras de mais de 1,3 kg só costumam atacar iscas em movimento, como as artificiais. Deve-se ter cuidado ao manipulá-la, pois costumam dar mordidas muito dolorosas e que sangram abundantemente. É indesejável em piscicultura, pois alimenta-se vorazmente de alevinos e peixes jovens de outras espécies. Tem marcada predileção por sombras e escuridão. É um peixe territorialista e canibal; protege suas crias até que se espalhem em meio a vegetação marginal.

TUCUNARÉ
Tucunaré, do Tupi "tucun" (árvore) e "aré" (amigo), ou seja, "amigo da árvore", Cichla spp., é uma espécie de peixe presente nos rios da América do Sul, em especial do Brasil, também conhecida como tucunaré-açu, tucunaré-paca, tucunaré-pinima, tucunaré-pitanga, tucunaré-vermelho ou tucunaré-pretinho.
Os tucunarés são peixes de médio porte com comprimentos entre 30 centímetros e 1 metro. Todos apresentam como característica um ocelo redondo no pedúnculo caudal e são peixes osseos.
Os tucunarés são sedentários e vivem em lagos, lagoas, rios e estuários, preferindo zonas de águas lentas ou paradas. Na época de reprodução formam casais que partilham a responsabilidade de proteger o ninho, ovos e juvenis. São peixes diurnos que se alimentam de qual quer coisa pequena que se movimenta e outros peixes e até pequenos crustáceos. Ao contrário da maioria dos peixes da Amazônia, os tucunarés perseguem a presa até conseguir o sucesso.

ARUÁ
O aruá (Pomacea sp.) é um molusco gastrópode da família dos ampularídeos, encontrado em rios e lagoas. Tal molusco possui cerca de 15 cm de comprimento e concha castanho-esverdeada. Também é conhecido pelos nomes de ampulária, arauá, aruá-do-banhado, aruá-do-brejo, caramujo-do-banhado, caramujo-maçã, fuá e uruá.

CAMARÃO
O termo camarão (do latim cammārus, caranguejo do mar, camarão, lagostim, derivado do grego kámmaros, ou kámmoros) é a designação comum a diversos crustáceos da ordem dos decápodes, podendo ser marinhos ou de água doce. Tais crustáceos possuem o abdome longo, corpo lateralmente comprimido, primeiros três pares de pernas com quelas e rostro geralmente desenvolvido.

Estes animais pertencentes à classe dos crustáceos, e possuem um exoesqueleto, feito de quitina. Seu corpo é dividido em duas partes: cefalotórax e abdómen. São animais que apresentam um sistema digestório completo, ou seja, com duas aberturas para entrada pela boca e saída pelo ânus de alimentos. Também possuem sexos separados e sua reprodução é sexuada.

Os camarões, bem como os insetos, aranhas, siris etc. são animais pertencentes ao filo Arthropoda. Todos os animais pertencentes a esse filo possuem sistema nervoso, formado por gânglios cerebrais bem desenvolvidos, de onde parte o cordão nervoso central ganglionar. Seus órgãos dos sentidos são muito especializados e situados na cabeça. Pode parecer estranho, mas os camarões também se comunicam entre si através de emissão de bolhas de ar, uma maneira adequada para a comunicação interespécie em meio a águas marinhas.

sábado, 3 de dezembro de 2011

CASA DE CULTURA POPULAR
HISTÓRICO


A Casa de Cultura Popular Antônia Pires Galvão de Góes foi inaugurada no dia 23/09/2006. A entidade cultural está localizada na Rua Pe. José Dantas Cortez, número 08, bairro Centro, ao lado da Praça de Eventos Dr. Sílvio Bezerra de Melo na cidade de Cruzeta-RN, a 220 Km de Natal.
A referida Casa de Cultura é de porte médio tendo uma infra-estrutura considerada regular.
Além de ser, atualmente o ponto de referência da cultura local dentro das modalidades da arte cênica, dança e artes popular, a instituição oferece serviço de núcleo bibliográfico (Biblioteca), Núcleo Museológico e Pinacoteca.
O ponto forte da Casa de Cultura é a arte cênica tendo como parceiro o Grupo de Teatro Coisas da Terra formado por jovens da comunidade.
Outros espaços são considerados importantes como: salas de oficinas, auditório para apresentações diversas, praça com palco ao ar livre e Box para exposições e vendas de artesanato.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

FIQUE POR DENTRO
"Nós podemos evitar tudo isso".

Quanto tempo leva para decomposição:

Luís da Câmara Cascudo



Luís da Câmara Cascudo (Natal, 30 de dezembro de 1898 — Natal, 30 de julho de 1986) foi um historiador, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro.

Passou toda a sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O Instituto de Antropologia desta universidade tem seu nome. Pesquisador das manifestações culturais brasileiras, deixou uma extensa obra, inclusive o Dicionário do Folclore Brasileiro (1952). Entre seus muitos títulos destacam-se: Alma patrícia (1921), obra de estréia, Contos tradicionais do Brasil (1946). Estudioso do período das invasões holandesas, publicou Geografia do Brasil holandês (1956). Suas memórias, O tempo e eu (1971) foram editadas postumamente. Quase chegou a ser demitido por estudar figuras folclóricas como o lobisomem.
Posições políticas

Foi monarquista nas primeiras décadas do século XX. Durante a década de 1930, combate a crescente influência marxista no Brasil, e, em parte, sob a impressão causada pela assim chamada Intentona Comunista de 1935, quando Natal foi palco e sede da primeira tentativa de um governo fundado nas idéias marxistas da América Latina, Cascudo aderiu ao integralismo brasileiro e foi membro destacado e Chefe Regional da Ação Integralista Brasileira, o movimento nacionalista encabeçado por Plínio Salgado. Desencantou-se rapidamente com o Integralismo, tal como outro famoso ex-integralista, Dom Hélder Câmara, e já durante a Segunda Guerra Mundial favoreceu os Aliados, demonstrando sua antipatia aos fascistas italianos e aos nazistas alemães. Fiel ao seu pensamento anticomunista, não se opôs ao Golpe Militar de 1964, mas protegeu e ajudou a diversos potiguares perseguidos pelos militares. Muito contribuiu para a cultura na gestão do Prefeito de Natal, Djalma Maranhão.

Casarão de Câmara Cascudo no Centro Histórico de Natal em Natal.

LIVROS DE CASCUDO
O conjunto da obra de Luís da Câmara Cascudo é considerável em quantidade e qualidade: ele escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas, o que o coloca entre os intelectuais brasileiros que mais produziram, ao lado de nomes como Pontes de Miranda e Mário Ferreira dos Santos. É também notável que tenha obtido reconhecimento nacional e internacional publicando e vivendo distante dos centros Rio e São Paulo. Nova York EUA nacionalidade de seu pai.


Os títulos listados estão seguidos das publicações originais e suas respectivas editoras. Atualmente alguns deles já foram reeditados por outras editoras.

• Alma Patrícia, critica literária – Atelier Typ. M. Vitorino, 1921
• Histórias que o tempo leva – Ed. Monteiro Lobato, S. Paulo, (out. 1923), 1924.
• Joio – crítica e literatura – Of. Graph. d’A Imprensa, Natal (jun), 1924
• Lopez do Paraguay – Typ. d’A República, 1927
• Conde d’Eu – Ed. Nacional, 1933
• O homem americano e seus temas – Imprensa Oficial, Natal, 1933
• Viajando o sertão – Imprensa Oficial, Natal, 1934
• Em memória de Stradelli – Livraria Clássica, Manaus, 1936
• O Doutor Barata – Imprensa Oficial, Bahia, 1938
• O Marquês de Olinda e seu Tempo – Ed. Nacional, S. Paulo, 1938
• Governo do Rio Grande do Norte – Liv. Cosmopolita, Natal, 1939.
• Vaqueiros e Cantadores – (Globo, 1939) – Ed. Itatiaia, S. Paulo, 1984.
• Antologia do Folclore Brasileiro – Martins Editora, S. Paulo, 1944
• Os melhores contos populares de Portugal – Dois Mundos, 1944
• Lendas brasileiras – 1945
• Contos tradicionais do Brasil – (Col. Joaquim Nabuco), 1946 - Ediouro
• Geografia dos mitos brasileiros – Ed. José Olímpio, 1947. 2ª edição, Rio, 1976.
• História da Cidade do Natal – Prefeitura Mun. do Natal, 1947
• Os holandeses no Rio Grande do Norte – Depto. Educação, Natal, 1949
• Anubis e outros ensaios – (Ed. O Cruzeiro, 1951), 2ª edição, Funarte/UFRN, 1983
• Meleagro – Ed. Agir, 1951 – 2ª edição, Rio, 1978
• Literatura oral no Brasil – Ed. José Olímpio, 1952 – 2ª edição, Rio, 1978
• Cinco livros do povo – Ed. José Olímpio, 1953 – 2ª edição, ed. Univ. UFPb, 1979.
• Em Sergipe del Rey – Movimento Cultural de Sergipe, 1953
• Dicionário do Folclore Brasileiro – INL, Rio, 1954 – 3ª edição, 1972
• História de um homem – (João Câmara) – Depto. de Imprensa, Natal, 1954
• Antologia de Pedro Velho – Depto. de Imprensa, Natal, 1954
• História do Rio Grande do Norte – MEC, 1955
• Notas e documentos para a história de Mossoró – Coleção Mossoroense, 1955
• Trinta "estórias" brasileiras – ed. Portucalense, 1955
• Geografia do Brasil Holandês – Ed. José Olímpio, 1956
• Tradições populares da pecuária nordestina –MA-IAA n.9, Rio, 1956
• Jangada – MEC, 1957
• Jangadeiros – Serviço de Informação Agrícola, 1957
• Superstições e Costumes – Ed. Antunes & Cia, Rio, 1958
• Canto de Muro – Ed. José Olímpio, (dez. 1957), 1959
• Rede de dormir – MEC (1957), 1959 – 2ª edição, Funarte/UFRN, 1983
• Ateneu Norte-Rio-Grandense – Imp. Oficial, Natal, 1961
• Vida breve de Auta de Souza – Imp. Oficial, Recife, 1961
• Dante Alighieri e a tradição popular no Brasil – PUC, Porto Alegre, 1963 – 2ª edição Fundação José Augusto (FJA), Natal, 1979
• Dois ensaios de História – (Imp Oficial Natal, 1933 e 1934) Ed. Universitária, 1965
• História da República do Rio Grande do Norte – Edições do Val, Rio, 1965
• Made in África – Ed. Civilização Brasileira, 1965
• Nosso amigo Castriciano – Imp. Universitária, Recife, 1965
• Flor dos romances trágicos – Ed. Cátedra, Rio, 1966 – 2ª ed. Cátedra/FJA, 1982
• Voz de Nessus – Depto. Cultural, UFPb, 1966
• Folclore no Brasil – Fundo de Cultura, Rio, 1967 – 2ª edição, FJA, Natal;, 1980
• História da alimentação no Brasil – Ed. Nacional ( 2 vol) fev. 1963), 1967, (col. Brasiliana 322 e 323) – 2ª ed. Itatitaia, 1983
• Jerônimo Rosado (1861-1930) – ed. Pongetti, Rio, 1967
• Seleta, Luís da Câmara Cascudo – Ed. José Olímpio, Rio, 1967 – org. por Américo de Oliveira Costa. – 2ª Ed. 1972.
• Coisas que o povo diz – Bloch, 1968
• Nomes da Terra – Fundação José Augusto, Natal, 1968
• O tempo e eu – Imp. Universitária – UFRN, 1968
• Prelúdio da cachaça – IAA, (maio, 1967), 1968
• Pequeno manual do doente aprendiz – Ed. Universitária – UFRN, 1969
• Gente viva – Ed. Universitária UFPe, 1970
• Locuções tradicionais no Brasil – UFPE, 1970 – 2ª edição, MEC, Rio, 1977
• Ensaios de etnografia brasileira – INL, 1971
• Na ronda do tempo – Ed. Universitária, UFRN, 1971 (livro biográfico)
• Sociologia do Açúcar – MIC – IAA, 1971. Coleção Canavieira n. 5
• Tradição, ciência do povo – Perspectiva, S. Paulo, 1971
• Ontem – (maginações) – Ed. Universitária UFRN, 1972
• Uma História da Assembléia Legislativa do RN – FJA, 1972
• Civilização e cultura (2 vol.) – MEC/Ed. José Olímpio, 1973
• Movimento da independência no RN – FJA, 1973
• O Livro das velhas figuras – (6 vol.) – 1, 1974; 2, 1976; 3, 1977; 4, 1978; 5, 1981; 6, 1989 – Inst. Histórico e Geográfico do RN
• Prelúdio e fuga do real – FJA, 1974
• Religião no povo – Imprensa Universitária, UFPb, 1974
• História dos nossos gestos – Ed. Melhoramentos, 1976
• O Príncipe Maximiliano no Brasil – Kosmos editora, 1977
• Antologia da alimentação no Brasil – Livros Técnicos e Científicos ed., 1977
• Três ensaios franceses, FJA, 1977 (do Motivos da Literatura Oral da França no Brasil, Recife, 1964 – Roland, Mereio e Heptameron)
• Mouros e Judeus – Depto. de Cultura, Recife, 1978
• Superstição no Brasil – Itatiaia, S. Paulo, 1985



Luiz Gonzaga do Nascimento
(Nasceu em Exu, 13 de dezembro de 1912 — Recife, faleceu em 2 de agosto de 1989) foi um compositor popular brasileiro, conhecido como o "rei do baião".

Nasceu na fazenda Caiçara, no sopé da Serra de Araripe, na zona rural de Exu, sertão de Pernambuco. O lugar seria revivido anos mais tarde em "Pé de Serra", uma de suas primeiras composições. Seu pai, Januário, trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão (também consertava o instrumento). Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocá-lo. Não era nem adolescente ainda, quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sul do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o baião. A canção emblemática de sua carreira foi Asa Branca, que compôs em 1947, em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira.
Antes dos dezoito anos, ele se apaixonou por Nazarena, uma moça da região e, repelido pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, ameaçou-o de morte. Januário e Santana lhe deram uma surra por isso. Revoltado, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército em Crato, Ceará. A partir dali, durante nove anos ele viajou por vários estados brasileiros, como soldado. Em Juiz de Fora-MG, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista. Dele, recebeu importantes lições musicais.
Em 1939, deu baixa do Exército no Rio de Janeiro, decidido a se dedicar à música. Na então capital do Brasil, começou por tocar na zona do meretrício. No início da carreira, apenas solava acordeão (instrumentista), tendo choros, sambas, fox e outros gêneros da época. Seu repertório era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros. Até que, no programa de Ary Barroso, ele foi aplaudido executando Vira e Mexe (A primeira música que gravou em 78 rpm; disco de 78 rotações por minuto), um tema de sabor regional, de sua autoria. Veio daí a sua primeira contratação, pela Rádio Nacional.
Em 11 de abril de 1945, Luiz Gonzaga gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor: a mazurca Dança Mariquinha em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira.
Também em 1945, uma cantora de coro chamada Odaléia Guedes deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga tinha um caso com a moça - iniciado provavelmente quando ela já estava grávida - e assumiu a paternidade do rebento, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior. Gonzaguinha foi criado pelos seus padrinhos, com a assistência financeira do artista.
Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Cavalcanti, professora que tinha se tornado sua secretária particular. O casal viveu junto até perto do fim da vida de "Lua". E com ela teve outro filho que Lua a Chamava de Rosinha.
Gonzaga sofria de osteoporose. Morreu vítima de parada cárdio-respiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Seu corpo foi velado em Juazeiro do Norte e posteriormente sepultado em seu município natal. Sua música mais famosa é Asa Branca
Música - Liforme Instravagante
Luíz Gonzaga

Mandei fazer um liforme,
como toda a preparação
para butar no arraiá
na noite de São João (bis)

Chapéu de arroz doce
forrado com tapioca
As fitas de alfinim
e as fivelas de paçoca
a camisa de nata
e os botões de pipoca (bis)

A ceroula de soro
e as calça de coalhada
o cinturão de manteiga
e o buquê de carne assada
sapato de pirão
e a zenfilhon de cocada (bis)

As meias de angu
presilhas de amendoim
charuto de biscoito
e os anelões de bolim
os óculos de ovos fritos
e as luvas de toucin (bis)

O colete de banana
e a gravata de tripa
o paletó de ensopado
e o lenço de canjica
carteira de pamonha
e a bengala de lingüiça (bis)

Vai ser um grande sucesso
no baile da prefeitura
a pulseira de queijo
e o relógio de rapadura
quem tem um liforme deste
pode contar em fartura (bis)

sábado, 12 de novembro de 2011

BIOGRAFIA/ PATRONO DA BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL
Profª. TEREZINHA DE JESUS MEDEIROS GÓES
Terezinha de Jesus Medeiros Góes nasceu no dia 11 de agosto de 1927, na Fazenda Amazonas, município de Brejo do Cruz-PB, filha do casal Francisco Bezerra de Medeiros e Ana Anita de Almeida sendo a primogênita de uma família de quinze filhos.
Com apenas um ano de idade foi adotada por seus avós maternos, Joaquim Cirilo de Almeida e Maria Francisca de Almeida. Diante disso foi morar na Fazenda Margarida situada no distrito de Cruzeta. Sua avó e mãe adotiva era professora da Escola Isolada daquela Fazenda.
No ano de 1937 ficou um tempo hospedada, em Cruzeta, na casa de seus padrinhos Joaquim Lopes Pequeno (Seu Baé) e D. Jacinta para estudar no Grupo Escolar Otávio Lamartine.
Em dezembro do mesmo ano seus avós foram morar na Fazenda Entendimento-PB a qual pertencia ao seu pai, dando continuidade aos estudos.
No ano de 1942 retornou a Cruzeta e foi morar na Fazenda Cauassú onde sua avó era professora passando a auxiliar a mesma na turma. Em meio a isto começou a dar aulas no Grupo Escolar Otávio Lamartine.
Casou-se em 09 de janeiro de 1952 com o Sr. Cícero Dedice de Góes constituindo uma família de cinco filhos.
Foi diretora do Grupo Escolar Otávio Lamartine entre 1949 à 1955.
Um de seus grandes feitos foi a pesquisa realizada sobre a fundação de Cruzeta e sobre o aspecto físico do município. Esta pesquisa deu origem ao livro “Noções de Geografia e História do Município de Cruzeta”, que até hoje serve de referência para muitos estudiosos e professores. A pesquisa em forma de livro foi efetuada nas comemorações dos cinqüenta anos de fundação da cidade de Cruzeta no ano de 1970.
Por duas vezes foi diretora do Grupo Escolar Joaquim José de Medeiros.
Atualmente, a Srª Terezinha de Jesus Medeiros Góes é viúva e reside na capital do Brasil, Brasília, mas não se esquece das boas lembranças de sua terra natal – Cruzeta.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

BIOGRAFIA/ PATRONO DA ESCOLA ESTADUAL
JOAQUIM JOSÉ DE MEDEIROS
Joaquim José de Medeiros era bisneto do Capitão-mor dos Remédios, Sr. Manoel de Medeiros Rocha.
Nasceu na Fazenda Riacho do Jardim, a 26 de janeiro do ano de 1868 e Ra filho do Sr. Luís Geraldo de Medeiros e de D. Maria Avelina de Medeiros.
Cidadão honrado e trabalhador, de resoluções inquebrantáveis, mas sempre tomadas para o bem comum.
Desde o princípio, quando ainda não havia surgido o povoado que dera origem a cidade de Cruzeta, ele resolvia pacificamente todas as questões surgidas nesta redondeza. Foi sempre tido como chefe nesta região e depois fundador do povoado Remédios. Como fundador, continuou gozando deste privilégio, tendo em vista que não existiam autoridades como: prefeito, delegado, padre, dentre outras.
Homem de fé praticava o catolicismo. Doou generosamente ao Patrimônio de Nossa Senhora dos Remédios, partes de suas terras onde hoje abriga o centro da cidade de Cruzeta. Empenhou-se de corpo e alma na campanha de criação da Paróquia, mas não teve a glória de ver a Vila passar a cidade. Não possuía grandes riquezas mas vivia independente.
De seu único matrimônio com D. Izabel Romana de Medeiros, nasceram 10 filhos.
Faleceu aos 84 anos de idade, em 18 de setembro de 1952 em sua Fazenda Riacho do Jardim, deixando para todos um exemplo honrado de chefe de família, digno cidadão e zeloso pelo bem comum.
BIOGRAFIA/ PATRONO DO
CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL
JOAQUIM LOPES PEQUENO
Cognominado Baé, Joaquim Lopes Pequeno nasceu na cidade de Acari-RN, em 03 de setembro de 1892. Filho do Sr. Joaquim Lopes Pequeno e de D. Tereza Brasileira de Jesus. Casou-se com Jacinta Veras. Do seu matrimônio não sobreviveu nenhum filho.
Chegou a Cruzeta em outubro de 1920 quando tinha início os trabalhos de construção do açude público. Naqueles trabalhos exerceu as funções de motorista e depois de armazenista. Dedicou-se inteiramente à causa dos cruzetenses.
Gozou sempre de grande prestígio e aproveitou essa conquista em favor não só da terra, mas também dos que viveram na Vila dos Remédios.
Foi agricultor, criador e comerciante, foi também no município de Cruzeta a figura de grande relevo político. Foi eleito segundo Prefeito Constitucional em 03 de outubro de 1959.
Em Cruzeta Povoado e Vila, Joaquim Lopes Pequeno, prestara-lhe os serviços de Delegado de Polícia e Diretor Educacional.
Como prefeito subscreveu ações da COSERN para eletrificação da cidade pela energia de Paulo Afonso. Manteve assistência médica no município por um contrato semanal com Dr. Odilon Guedes, médico de Acari. Tinha convênio com o Hospital do Seridó em Caicó, depois com o Hospital Padre João Maria em Currais Novos e Hospital Colônia em Natal.
Muito lutou junto a autoridades competentes na obtenção de verbas para construção do prédio dos Correios e Telégrafos. Nos últimos meses de vida ainda manteve entendimentos com autoridades, no sentido de que conseguissem verbas para a construção de pontes sobre os escoadores do açude público.
Foi grande trabalhador na causa da organização dos limites entre Cruzeta e Acari. Fez muito pela Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.
Cidadão honrado, muito querido por todos. Nunca houve quem o procurasse toda a atenção e ajuda que estivesse ao seu alcance. Amigo de todos, do velho à criança; todos o conheciam e estimavam como Seu Baé.
Batalhador incansável pelo progresso de Cruzeta. Faleceu em 03 de outubro de 1970, depois de um longo sofrimento. Sua morte pranteada e lamentada por todos os cruzetenses deixou uma saudade profunda aos que desfrutavam de sua benéfica atuação, de sua índole pacífica e benfeitora.
BIOGRAFIA/ PATRONO DA ESCOLA MUNICIPAL
CÔNEGO AMBRÓSIO SILVA
A história religiosa da cidade de Cruzeta está estreitamente ligada à figura do Cônego Ambrósio Silva.
Sacerdote pernambucano nasceu a 15 de dezembro do ano de 1900, no município de Bonito.
Era filho do casal Joaquim Francisco da Silva e de Vivência de Oliveira Leite e Silva. Fez seus estudos no tradicional Seminário de Olinda. Ordenou-se no dia 02 de abril de 1927. Esta cerimônia realizou-se na capela do colégio da Imaculada Conceição em Natal/RN e foi oficiada pelo Excelentíssimo Senhor Bispo D. José Pereira Alves, pastor daquela Diocese.
Vigário de várias cidades no Rio Grande do Norte exerceu a maior parte da sua vida sacerdotal na Paróquia de Acarai. Em 21 anos serviu a Paróquia de Nossa Senhora da Guia naquela cidade, e como a ele pertencíamos, esse trabalho sacerdotal estendeu-se até Cruzeta.
Empreendeu arrojada campanha ao lado dos seus paroquianos cruzetenses, a fim de torná-la Paróquia independente e com grande glória, viu-a coroada de êxito. Fizera esta campanha andando a cavalo, e até a pé, junto aos seus amigos cruzetenses. Foi pelos sítios e fazendas, conseguindo dádivas de animais e um grande número de outros donativos. Com estas coisas ofertadas promoveu arrojado leilão, cuja renda foi suficiente para construir o patrimônio da Nov Paróquia. A generosidade do povo cruzetense foi além do que o padre esperava e com o saldo ele comprou um sito para a nova freguesia.
No dia 15 de novembro de 1954, a capela de Nossa Senhora dos Remédios foi promovida a paróquia. Criada a paróquia de NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS, padre Ambrósio, apesar de vigário de Acari, conseguiu a permissão do Bispo Diocesano D. José de Medeiros Delgado, par ficar definitivamente em Cruzeta.
Antes da criação da paróquia, padre Ambrósio já havia feito uma ampliação na capela e construído altares. Depois de matriz, o vigário construiu a imponente torre. Antes de falecer, padre Ambrósio fez uma reforma geral no interior e na parte externa da igreja.
Matinha entre o povo uma disciplina modelar na igreja. Deixou-a bem servida de utensílios sacros, ornamentos, móveis e paramentos.
Externava uma fé inabalável no Santíssimo Sacramento, um zelo especial pela Santa Eucaristia. As paróquias regidas por ele destacavam-se pela frequência dos paroquianos a mesa eucarística.
No exercício religioso das noves primeiras sexta-feira, o incansável vigário chegava a atender sozinho, em confissão, cerca de 1.200 fiéis, ficando na igreja até meia noite e no dia seguinte, já às três horas da manhã, estava tocando fortemente o sino, a chamar os penitentes que quisessem receber dele, em nome de Deus, o perdão dos seus pecados; após, com aparente satisfação distribuía a Santa Comunhão. Só uma coisa o irritava neste ato de piedade, quando alguma senhora distraída ou alguma mocinha desatenciosa, cortava a fila que dava acesso a mesa da Comunhão. Todos deviam cantar os hinos religiosos na hora da missa com voz muito forte.
Sem nenhum amor a riquezas temporais, Cônego Ambrósio levou uma vida humilde e sem conforto corporal. Andava sempre com sua batina preta a flamejar ao vento nas ruas de terra batida da imponente vila. Seu temperamento forte foi muito apega as causas políticas. Chegou a ser candidato a prefeito da cidade de Florânea/RN, onde também foi vigário.
Detestava a anarquia, sob o ponto de pegar a próprio punho os deturpadores da ordem, retirando-os do meio onde devia reinar a disciplina.
Cônego Ambrósio Silva faleceu aos 57 anos de idade no dia 1º de dezembro de 1957, na cidade de Santa Cruz/RN, quando viajava para Natal à procura de recursos médicos, contra o terrível mal que eliminara sua vida.
BIOGRAFIA/ PATRONA DA ESCOLA MUNICIPAL
ANA ASSIS DE MEDEIROS
Cognominada D. Naninha, Ana Assis de Medeiros nasceu no município de Florânia-RN em 06 de março de 1937. Filha do Sr. Manoel Patrício de Medeiros e da Srª Izabel Theodomira de Medeiros.
Quando jovem, portava de grande estima exercendo com total sabedoria a perfeita educação recebida de seus pais
Casou-se com o renomado comerciante, Sr. Manoel Peixinho de Medeiros, filho do Sr. Manoel Peixinho de Medeiros e Srª Francisca Maria de Jesus.
No ano de 1952, veio residir no município de Cruzeta no Sítio Riacho do Jardim, onde iniciou sua carreira profissional de educadora na Escola Isolada Malhada Grande, permanecendo até o ano de 1955.
Por motivo superior, veio lecionar na cidade de Cruzeta onde deu continuidade como professora na Escola Estadual Otávio Lamartine e Escola Estadual Joaquim José de Medeiros.
Gozou sempre de grande prestígio na causa educacional do nosso município.
Foi mãe de nove filhos, dos quais criou sete, repassando para os mesmos bons exemplos de vida e uma boa educação.
Como mãe foi um verdadeiro exemplo, como educadora foi conselheira, elal e amiga.
Recebeu dos pais a doutrina católica a qual exerceu de forma bela. Foi zeladora, presidente e secretária do Apostolado da Oração da Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, como também era associada da Congregação de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro aos quais exerceu com dignidade, amor, honestidade, perseverança e humildade.
No ano de 1982 comemorou trinta anos de serviços prestados a educação de Cruzeta com orgulho de várias conquistas.
Faleceu aos 59 anos de idade, em 26 de outubro de 1993 no Hospital Maternidade de Cruzeta.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CÂMARA MUNICIPAL DE CRUZETA
PODER LEGISLATIVO

A função do Poder Legislativo consiste na elaboração das Leis Municipais, as aprova para que sejam sancionadas e executadas pelo prefeito. Este órgão deve ter imparcialidade entre estes poderes tendo em vista que tem o objetivo de acompanhar, fiscalizar e orientar o Executivo quanto à aplicação dos recursos públicos oriundos de diversas esferas governamentais.
Com a instalação do município, em 15 de março de 1954, teve-se a posse do primeiro Prefeito de Cruzeta o Dr. Sérvulo Pereira de Araújo. Foi neste mesmo ano que ocorreu a primeira eleição que elegeria o nosso primeiro Prefeito Constitucional e os primeiros membros que constituiriam a Câmara Municipal. Dr. Sílvio Bezerra de Melo foi escolhido, pelo voto popular, para ser o representante do Executivo.
Para representar o Poder Legislativo foram escolhidos oito vereadores:
• Antônio Alves da Cunha
• Tiburtino Bezerra de Araújo
• Sebastião José de Araújo
• João Damasceno Lopes de Araújo
• Cícero Simão Bezerra
• Miguel Pereira de Araújo
• Ladislau Salvino de Medeiros
• João Bernardino Filho
Na época quem presidiu a Presidência da Câmara foi o Sr. Felix Pereira de Araújo, Vice-prefeito, companheiro de chapa do Dr. Sílvio Bezerra de Melo.
A posse do Prefeito, Vice-prefeito e vereadores dera-se a 31 de janeiro de 1955.
Para sede da Prefeitura e da Câmara Municipal fora alugada uma casa residencial bastante simples e sem muita estrutura física e mobiliária. A Câmara fora instalada em um pequeno compartimento deste imóvel, onde hoje é a junta militar e posteriormente em uma sala na própria prefeitura.
Muitas pessoas de renome já passaram pela Câmara municipal de Cruzeta e deram o seu melhor para o progresso do nosso município.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Oração a Nossa Senhora dos Remédios


Pedir por todos dos sofrimentos.

Virgem soberana rainha do céu e da terra, estrela resplandecente, Senhora dos Remédios, sede o remédio eficaz aos meus males, as minhas dores, minhas aflições, aos meus martírios, aos meus trabalhos, livrai-me da peste, enxugai o meu pranto, aliviai-me desta dor que sofro deste perigo em que estou, desta cilada que me armaram, defendei a minha justa causa, lançai os Vossos misericordiosos olhos em torno de mim, o mais indigno e fiel pecador, lançai Virgem Santíssima sobre mim os Vossos olhos de piedade com aquela ternura e amor com que lançastes ao Sacrossanto cadáver de Vosso adorado Filho, Jesus Cristo, quando Vos entregaram tão cruelmente maltratado.
Se Vos compadecestes desses ingratos algozes como não fareis a mim que choro, que clamo contra tanta impiedade para com Deus tão bondoso.
Rogai Senhora dos Remédios ao Vosso amantíssimo Filho por mim pecador, para que possa, sem receio, entrar nessa celestial corte, onde reinais para sempre.
HINO DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS


1. Eia povo devoto a caminho / sob a vista bondosa de Deus./ Vamos todos levar nosso preito / à bendita Rainha dos Céus.

REF.: Salve ó Virgem Mãe piedosa, / Salve estrela formosa do mar./ Santa Mãe dos Remédios / sobre nós lançai o olha(bis).

2. Lindas flores lancemos contentes, / sobre a fronte da Mãe de Jesus / para que Ela nos mostre o caminho que à paragem celeste conduz.

3. Nossas almas desfilam ferventes / sobre a água do mar / lindos hinos de amor procuramos à Rainha do Céu exaltar.

4. Nossa vida será mais tranquila, / toda cheia de flores e luz. / se nós formos buscar doce abrigo, / sob o manto da Mãe de Jesus.
A ARTE ARQUITETÔNICA E ARTISTICA
DA IGREJA DE N. S. DOS REMÉDIOS: CRUZETA-RN


A igreja sofreu influência de dois estilos artísticos arquitetônico: o GÓTICO (estilo arquitetónico que segundo pesquisas, é evolução da arquitetura românica e precede a arquitetura renascentista) e o ROMANO (Os conjuntos arquitectónicos seguem, geralmente, a planta basilical, uma, três ou cinco naves (geralmente três), colunas que sustentavam as abóbadas e um aspecto maciço e horizontal) constituído de três naves – a primeira que dá acesso ao altar-mor e duas secundárias que terminam com a implantação de dois andares menores.
No ano de 1986 a arquitetura artística passou por grandes mudanças. No lugar dos grandes janelões tradicionais ganhou a influência da Arte Bizantina através de lindos Vitrais.
A Matriz foi tombada pelo Patrimônio Histórico – IBGE – protegida por Lei nº 2321-5 e foi consagrada em 18 de outubro de 1987.
Em 2011, Pe. Héliton Marcone resolve adornar com maior requinte o estilo artístico da Matriz. As antigas colunas ganharam um requinte Capitel no estilo Coríntio. Pintura estilo marmorizado (pintura que imita o mármore), a base de tinta policollor ouro rico (importada de Milão).
O altar da padroeira foi totalmente modificado através de um estilo tradicional, com nicho único com base para duas imagens laterais acessórias (São José e o Coração de Jesus). Molduras em folhas de ouro. Corpos do altar no mesmo estilo das colunas e arcos do presbítero e a nave central. Tem quatro colunas na parte superior as iniciais de Nossa Senhora dos Remédios (NSR). Abaixo da imagem da Padroeira terá um painel e os detalhes de friso e ramagem. Também foi usada tinta policollor ouro rico (importada de Milão).
O presbítero ganhou reforma em granito com barra de mármore, ambão novo, a mesa eucarística continuou a mesma, pois o altar é dedicado, o mesmo foi apenas revestido.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Historia das Rendas

Historicamente, a renda pode ser muito antiga, caso esta seja considerada exemplo de algumas espécies de tramas de fios produzidas ainda no período neolítico. Porém, na forma de sua configuração atual, este artesanato têxtil é relativamente recente. É apenas entre os séculos XV e XVI que a história começa a apontar indícios de sua origem, com Flandres e Itália reivindicando sua paternidade. Flandres intitulando-se inventora da renda de bilros e a Itália pedindo a patente da renda de agulhas, da qual nasce a renda renascença.
Mesmo antes do século XV, em meados dos séculos XII e XIII, a história explora a possibilidade de a renda ter aparecido na Espanha e em Portugal, para onde os mouros a teriam levado.
Mas, nesse caso, não se trata da renda como viemos a conhecer por volta dos anos 1500, e sim de alguns tipos especiais de bordados e tramas desenvolvidos com maestria pelos árabes.
Ao se analisar atentamente a arte árabe, encontra-se semelhanças tipológicas entre esta e a renda produzida na Europa a partir do século XV. Seu estilo artístico é fundamentado em princípios religiosos e desaconselha qualquer representação da figura humana. Dentro dessa aparente limitação criativa, seus artistas desenvolveram muito as formas abstratas como linguagem para sua expressão visual, adotando a geometria, a caligrafia e os motivos florais como principais elementos de sua estética. Essa forma de representação imagética ficou conhecida como arabesco e foi largamente usada na decoração de prédios e artefatos
de uso cotidiano. Os arabescos árabes configuram tramas visuais complexas e rebuscadas, e essas tramas, quando comparadas morfologicamente com as tramas das rendas do século XV, apresentam vários aspectos semelhantes. Por isso, é provável a hipótese desta arte ter influenciado de algum modo a criação da renda européia.
As pioneiras investigações foram no sentido de produzir bordados com linha branca sobre fundos claros e em tecidos leves e transparentes, como tule e musselina. Em seguida, criaram a técnica de cortar certos espaços vazios do tecido entre os motivos bordados, vazando-se áreas estratégicas ao redor deste. Os italianos batizaram essa invenção de punto tagliato, os franceses de point coupé, ou seja, ponto cortado. Estava, nesse momento, dado o primeiro passo à criação da renda, e nascia também o que tempos depois ficou conhecido como a técnica para a produção do richelieu.
Após o ponto cortado, as experimentações dos artesãos continuaram e criaram o que foi chamado pelos italianos de fili tirani, e pelos franceses de fils tires, ou fios puxados. Esse processo consistia em retirar do tecido alguns fios, conservando apenas os necessários para estruturar e interligar os pontos e os motivos bordados. Esta técnica específica do desfio deu origem a um tipo especial de renda, conhecida no Brasil como crivo ou labirinto.
A esse bordado cortado e agora feito sobre tecidos propositalmente desfiados, os artesãos acrescentaram pequenas barras serrilhadas ao seu redor, para dar-lhe acabamento lateral e mais sustentação. Sem o fundo de tecido e com a barra ao redor o bordado já poderia ser considerado, praticamente, uma peça de renda.
Para estes novos pontos foram criados inúmeros desenhos de padrões para serem produzidos em diferentes modelos. Estes padrões popularizaram-se através dos livros de padrões, desenvolvidos e editados na Itália durante todo o século XVI.
As pesquisas para a feitura de novos pontos continuaram especialmente na Itália. Entre todos os pontos cortados criados, aquele que se apresentava como inteiramente novo ficou conhecido como ponto no ar. O que o divergia dos demais era o fato de ele não precisar de um tecido de base para ser executado, diferentemente do ponto cortado, no qual, embora o tecido praticamente desaparecesse após o desfio, ainda assim, só era possível de ser produzido tendo um tecido como base.
O ponto no ar era feito de maneira livre do tecido; isso possibilitou uma ruptura completa entre o bordado e a renda, a qual acabava de nascer. Em decorrência desta descoberta, é possível reconhecer a Itália como a grande responsável pelo invento deste novo artesanato têxtil. Mesmo assim, dentro do país passou a existir uma disputa entre as cidades de Ragusa e Veneza pela paternidade da criação deste ponto. Porém, Veneza veio a se tornar um centro bem mais famoso e respeitado na produção de rendas de agulhas, exportando tanto seu artesanato como seu conhecimento para outros países europeus.
O ponto no ar, após a fama de Veneza, também ficou conhecido como ponto de Veneza e começou a ser utilizado amplamente na França, juntamente com seus precursores artesanatos têxteis, como o ponto cortado e os fios tirados.
Mais tarde, na França, entre 1754 e 1793, as artesãs trabalharam para aperfeiçoar o ponto de Veneza e criaram o point de France, ou ponto da França, que logo consolidou a supremacia daquele país na produção de rendas de agulhas em toda a Europa. Este novo ponto era mais fino e trazia em sua composição formas mais rebuscadas de folhagens e arabescos, diferentemente dos padrões mais geométricos das rendas italianas.
A Itália procurou reagir ao crescimento do artesanato têxtil francês e Veneza criou o punto di rosa, ou ponto de rosa. Embora tenha sido descoberto em Veneza, outra cidade italiana, Burano, acabou por se tornar a sua principal produtora, mudando o nome de ponto de rosa para ponto de Burano.
Mesmo com o advento do ponto de Burano, a Itália não conseguiu reconquistar a antiga hegemonia na produção da renda de agulha, pois foi justamente o ponto da França que se propagou por toda a Europa. Com essa ampla disseminação, outros países se sentiram encorajados a também produzirem este novo e original artesanato têxtil, principalmente no espaço de tempo em que a França cessou provisoriamente a sua produção durante a Revolução Francesa.
Porém, além da Itália e da França, é importante verificar que outras nações contribuíram profundamente para a disseminação e consolidação da renda de agulha pelo mundo, e neste contexto pode-se reconhecer Espanha, Inglaterra, Islândia e Portugal, como países fundamentais no processo de divulgação da renda. Contudo, a França continua sendo decisiva para a implantação da renda renascença no Brasil, especialmente no estado da Paraíba.
Originalmente, a renda de agulha teve seu uso atrelado ao vestuário. Historicamente, a renda foi introduzida nas indumentárias entre os séculos XV e XVI como elemento decorativo que pudesse substituir o bordado. A diferença entre o bordado e a renda é bem clara. O primeiro é a aplicação de motivos sobre o tecido de forma que este se torne uno ao pano. O segundo, a renda, constitui-se em uma trama auto-estruturada independente de um suporte, no caso, o tecido. Assim, o bordado quando aplicado em uma peça de vestuário não pode ser retirado desta, diferentemente da renda. Com essa possibilidade de ser removível, este novo artesanato têxtil tornou-se uma das maneiras encontradas por homens e mulheres para diferenciar uma mesma peça de roupa nas diversas ocasiões de seu uso.
Divergindo dos dias atuais, em que prevalece a aplicação de renda em roupas femininas, inicialmente não foi exclusivamente nas vestimentas de mulheres que ela teve destaque, pois suntuosas peças desse artesanato foram produzidas para os trajes masculinos. Nesses séculos, durante o Renascimento, encontram-se vários personagens nobres usando renda em seus trajes, concedendo a esta um grau de sofisticação que ajudou em muito a difundila por toda a Europa.
Com o passar dos anos, a renda ganhou ainda mais destaque nas indumentárias, sendo empregada com magnificência, além de seu predomínio em golas, mas também em punhos e em lingerie feminina e masculina. Além desses usos, também foram usadas na ornamentação dos canos das botas altas, surgindo a moda dos canhões (ornamentos de rendas que se prendiam ao longo das pernas).
O uso das rendas foi de tal proporção que seu valor social em possuí-las era de elevado status, a ponto de a Igreja Católica proibir o uso excessivo desse artefato, embora também a Igreja a usasse em suas vestes eclesiásticas e na decoração dos altares.

Historia dos Bordados

Um bordado é uma forma de criar à mão ou à máquina desenhos e figuras ornamentais em um tecido, utilizando para este fim diversos tipos de ferramentas como agulhas, fios de algodão, de seda, de lã, de linho, de metal, de maneira que os fios utilizados formem o desenho desejado.
No que se refere especificamente à atividade artesanal, a maior concentração de tipos de bordados se encontra na região nordeste do Brasil. No Ceará, por exemplo, os bordados são provenientes de artesãos de todo o estado, e ficaram conhecidos por sua beleza e sua arte peculiar. Através dos tipos de bordados denotam-se traços característicos regionais de seus habitantes, aspectos inerentes à cultura e história.
O bordado, executado sobre o tecido com agulha e linha, difere da renda porque esta não é aplicada sobre fundo já existente: ela mesma é um tecido de malhas abertas e com textura delicada, cujos fios se entrelaçam formando um desenho. Já as rendas mais famosas são as de bilros. Tanto com o bordado, quanto com as rendas, são confeccionados artigos de cama e mesa e peças de vestuário.
No estado de São Paulo, a cidade de Ibitinga é conhecida por projetos e atividades comerciais baseadas em bordados. Todos os anos nesta cidade realiza-se tradicional Feira do Bordado, o que desperta a curiosidade de turistas vindos de diferentes regiões do país.
De acordo com informações obtidas da revista Ponto Cruz Manequim3 os registros históricos do ponto cruz coincidem com a pré-história. No tempo em que os homens moravam em cavernas, o ponto cruz servia para costurar as vestimentas, feitas de pele de animal. Eles usavam agulha de osso e, no lugar de linhas, tripas de animais ou fibras vegetais. Fragmentos de linho datam de 5000 a.C.; retirados de túmulos egípcios em escavaçõesarqueológicas, revelaram que o ponto cruz era usado para cerzir peças de tecido.
Na Antigüidade, os romanos descreviam o bordado como a “pintura de uma agulha”, mas foram os babilônicos que batizaram esta técnica. Existem controvérsias sobre a origem do ponto cruz, da forma como é utilizado hoje. Há quem acredite que ele tenha surgido na China e depois levado para a Europa.
No século XVIII diversas pessoas de diferentes posições sociais faziam o ponto cruz e nesta época surgiram os mostruários, a fim de facilitar a escolha dos motivos das cores.
Em termos do que era criado em ponto cruz, são exemplos as letras do alfabeto, borboletas, flores, casas, bordas floridas e as famosas amostras. Nos motivos, aparecia ou a assinatura de quem realizava o trabalho, a data e, às vezes até mesmo, a idade da bordadeira.
Desde a Idade Média até os dias atuais o prestígio do ponto cruz nunca diminuiu. Os motivos ganharam novas inspirações e muita vitalidade, levando os trabalhos às possibilidades de enriquecer a decoração, dar ares à criatividade e também valorizar a habilidade manual.
A seguir, mencionam-se as principais técnicas de bordado:
Hardanger: elaborado com pequenos vazados, quadrados e formas geométricas, o hardanger segue a trama do tecido. É trabalhado com quatro fios, tanto na vertical quanto bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa 13 na horizontal. Caseado, ponto de cetim, ponto de cabo, ilhós, enchimento com fios cruzados e barras tecidas são alguns dos pontos usados nesta técnica;
Ajour: a expressão francesa a jour significa “claridade” ou “aquilo que deixa passar a luz”. Por meio de pontos específicos, o bordado introduz aberturas e orifícios no tecido que criarão desenhos de diferentes tipos. Cada país ou região acabou por criar seus próprios desenhos surgindo, assim, o a jour americano, dinamarquês, norueguês e italiano. Alguns desenhos são tão complexos e sofisticados que acabam se aproximando da renda;
Pedrarias: técnica de bordado que faz uso de miçangas, vidrilhos, canutilhos, paetês, lantejoulas, pérolas e cristais. Registros arqueológicos mostram que as pessoas costumavam fazer uso das pedrarias há mais de cinco mil anos;
Assis: técnica que tem sua origem na cidade italiana de Assis. Muito utilizada na confecção de peças sacras, esta técnica é uma variação do ponto cruz. A diferença está no fundo do trabalho, que é preenchido e faz com que o desenho central apareça delineado pelos contornos;
Ponto cruz: conforme já mencionado anteriormente, primeiros trabalhos que mostram pontos semelhantes ao ponto cruz foram encontrados por pesquisadores na Ásia Central e datam de cerca de 850 a.C. Mas é no Renascimento que o ponto cruz toma a forma pela qual se tornou conhecido atualmente. A mouliné é uma das linhas mais utilizadas nesta técnica;
Blackwork: arte embasada em formas geométricas. Foi Catarina de Aragão, mulher de Henrique VIII, quem deu a este tipo de arte um caráter popular e não mais sacro como aconteceu até o século XVI. Originalmente, o bordado era feito sobre um linho branco com fios de seda pretos, entremeados com fios de ouro;
Pattern darning: culturas de todo o mundo costumavam usar esta técnica de bordado para decorar artigos de roupa e linho de família. O ponto é simples e é conhecido entre as bordadeiras por “ponto de correr”, que pode ser feito na horizontal, vertical e diagonal.